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BNDES quer abrir o mercado de infraestrutura brasileiro (MERCADO)

Agosto 2020

O maior objetivo do trabalho do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) ao estruturar projetos de concessão ao setor privado é abrir o mercado
brasileiro de infraestrutura, afirma o diretor de Infraestrutura, Concessões e PPPs da
instituição de fomento, Fábio Abrahão.
O executivo ressaltou que o banco “está preparado” para financiar os investimentos
em infraestrutura, mas trabalha para atrair outras fontes de financiamento. “Nossa
maior meta é abrir o mercado (de infraestrutura), para ter competição e beneficiar o
consumidor e o pagador de impostos”, afirmou Abrahão.
Segundo o executivo, a má concepção dos projetos de concessão de infraestrutura,
combinada com a falta de competição, são as principais responsáveis pelos casos
malsucedidos no setor, com atrasos nos investimentos e baixa qualidade dos serviços.
Abrahão citou as concessões de aeroportos feitas “nos últimos 15 anos”, como alguns
aeroportos e a BR-163, como concessões problemáticas feitas com projetos mal
concebidos.
“A má concepção dos projetos de concessão se combina com a falta de competição
porque ‘oligopólios privados’, como o formado pelas empreiteiras envolvidas na
Operação Lava Jato, e “monopólios estatais”, como o exercido pelas companhias
estaduais no setor de saneamento, dominam vários setores da infraestrutura”, disse
Abrahão.
“Uma série de concessões foram mal concebidas, impossíveis de ficar de pé, a menos
que o negócio não fosse a concessão”, afirmou o diretor do BNDES.
Segundo Abrahão, o atual governo vem trabalhando para resolver “esqueletos” das
concessões dos últimos 15 anos, ao mesmo tempo em que foca em bons modelos
como melhor prevenção de problemas nos projetos futuros.
Os bons modelos são essenciais para aumentar a competição, atraindo mais
operadores privados, porque, no setor de infraestrutura a concorrência se dá nos
leilões de concessão. Abrahão lembrou que a carteira de projetos em elaboração pelo
BNDES inclui investimentos em torno de R$ 200 bilhões ao longo de ano.
“O banco está preparado e tem capacidade financeira (para financiar os investimentos
em infraestrutura), mas queremos abrir espaço para outros agentes financiadores, do
Brasil e de fora”, afirmou Abrahão.
Em relação à atração de investidores e financiadores estrangeiros, o diretor do BNDES
procurou minimizar os riscos associados à variação cambial. No longo prazo, o
problema se resolveria porque os modelos de reajustes tarifários, atualizados pela
inflação, acabam incorporando efeitos cambiais.

No curto prazo, Abrahão vê a depreciação recente do real, e uma expectativa de
apreciação no médio prazo, como boa oportunidade para os estrangeiros. Ainda assim,
o diretor afirmou que o banco de fomento está “pensando” na formação de fundos
que possam “comprar” parte desse risco.
Fonte: http://www.grandesconstrucoes.com.br/Noticias/Exibir/bndes-visa-abrir-o-
mercado-de-infraestrutura-brasileiro
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